Oleiros: Projetos vencedores do 2º Orçamento Participativo

Projetos vencedores do 2º Orçamento Participativo 

Já são conhecidos os dois projetos vencedores da segunda edição do Orçamento Participativo de Oleiros. Em 2022, na categoria OP Jovem foi eleito o projeto “Cais Fluvial Rio Zêzere e Zona de Lazer” e na categoria OP Geral, o projeto eleito é “Pedalar Sem Esforço”. Aos dois projetos eleitos vai ser atribuída uma verba total de 50.000 euros, (25.000€ a cada projeto) a qual será cabimentada no próximo Orçamento Municipal previsto para o próximo ano. Abaixo consulte as informações sobre os projetos vencedores.

– Cais Fluvial Rio Zêzere e Zona de Lazer: https://op.cm-oleiros.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=28315&id=10175&processoID=10044

– Pedalar Sem Esforço: https://op.cm-oleiros.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=28315&id=10174&processoID=10044

Recorde-se que entre os princípios desta iniciativa está o fomento de uma cidadania participativa, ativa e responsável; a promoção do envolvimento dos jovens e da população em geral, bem como o incentivo à interação entre eleitos, técnicos municipais e munícipes na procura de soluções para melhorar a transparência da gestão pública e a qualidade de vida no concelho.

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Freguesia de Oleiros – Amieira constrói Presépio participado

OLEIROS – “O NOSSO PRESÉPIO DE 2022”

A Junta de Freguesia de Oleiros-Amieira vai assinalar o Natal de 2022 com uma iniciativa inédita. Pretende montar um presépio coletivo na sede da junta, contando com a participação dos residentes na freguesia.

Cada participante pode levantar uma figura na sede da Junta de Freguesia e pode pintá-la ou decorá-la livremente, utilizando as técnicas e os materiais que entender. Os trabalhos podem ser individuais ou de grupos (alunos, amigos, famílias, idosos…) e representam as figuras tradicionais dos presépios cristãos

O trabalho final, um presépio constituído pelas imagens entregues na Junta, estará exposto até ao final desta quadra festiva e vai ser, com certeza, um motivo de regozijo para os participantes e para os oleirenses em geral.

Este presépio será montado por um grupo de alunos do ensino secundário, que se voluntariarem para esta tarefa.

Com esta iniciativa, pretende-se assinalar a quadra do Natal com um presépio coletivo, envolver a comunidade num trabalho de toda a freguesia e estimular a criatividade dos oleirenses.

Podem participar os cidadãos, de todas as idades, residentes na freguesia, as coletividades, as IPSS e as escolas da freguesia.

Pintar ou decorar, em casa ou na escola, figuras do presépio, fornecidas pela Junta de Freguesia.

Até ao dia 9 de dezembro, os interessados devem levantar e entregar as figuras pintadas ou decoradas na Junta de Freguesia,

Entre 12 e 16 de dezembro será montado o presépio e a abertura ao público está agendada para o dia 16 de dezembro.

 

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Município de Proença promove Ações de mobilização de proprietários nas Áreas das AIGP’s

Município de Proença promove Ações de mobilização de proprietários nas Áreas das AIGP’s

O Município de Proença-a-Nova promoveu, entre os dias 12 e 20 de novembro, cinco Ações de Mobilização de proprietários e de incentivo ao cadastro dos prédios nas áreas da AIGP Alvito, AIGP Corgas, AIGP Fórneas e AIGP Penafalcão, onde foram transmitidos os objetivos e ações a desenvolver no âmbito do processo da AIGP (Áreas de Intervenção de Gestão da Paisagem) /OIGP (Operações Integradas de Gestão da Paisagem), bem como os procedimentos necessários para o registo dos prédios afetos no BUPi.

Corgas, Fórneas, Alvito da Beira, Malhadal, Cunqueiros/Penafalcão, são as localidades onde se realizaram estas ações, que contaram com a presença de Técnicos Municipais e proprietários que detêm prédios nestas áreas. As áreas das quatro AIGP´s aprovadas para o Concelho de Proença-a-Nova foram definidas tendo em conta que são áreas recorrentemente afetadas por incêndios, nomeadamente os incêndios de 2003, 2017 e 2020.

No âmbito da promoção e divulgação desta temática, João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, aponta que “a floresta que queremos ver no território será biodiversa e ambientalmente sustentável, com capacidade de criar valor económico e de ser gerida e valorizada, contando pela primeira vez com apoio do Estado durante 20 anos para essa gestão”.

Entre os principais objetivos elencados neste projeto-piloto estão o aumento da resiliência dos sistemas ecológicos, agrícolas, florestais e destas comunidades face aos riscos associados às alterações climáticas, em particular os incêndios rurais e a perda da biodiversidade; a valorização e remuneração dos serviços prestados pelos ecossistemas; o crescimento sustentável, valorização e coesão territorial e a valorização do capital natural e promoção da economia rural.

Desta forma, os proprietários que possuírem terrenos na área traçada pela AIGP deverão proceder à georreferenciação dos seus prédios no BUPi – Balcão Único do Prédio. Nestas quatro áreas serão criadas as condições necessárias para o desenvolvimento de operações integradas de gestão da paisagem, a executar num modelo de gestão agrupada por uma entidade gestora, suportada por programas de apoio (PDR2020, Fundo Ambiental, PRR, entre outros) de longo prazo, que irão disponibilizar apoios ao investimento inicial, às ações de manutenção, gestão ao longo do tempo e à remuneração dos serviços dos ecossistemas.

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Oleiros – Detido em flagrante por furto em residência 

Oleiros – Detido em flagrante por furto em residência 

O Comando Territorial de Castelo Branco, através do Posto Territorial de Oleiros, no dia 19 de novembro, deteve em flagrante um homem de 51 anos por furto em residência e recuperou diverso material furtado, em Oleiros.

No seguimento de uma denúncia de que estaria a ocorrer um furto em residência naquela localidade, os militares da Guarda deslocaram-se rapidamente para o local, tendo surpreendido o suspeito que já se encontrava na posse de vários objetos furtados, motivo que levou à sua detenção em flagrante.

No decorrer da ação foi possível apreender o seguinte material:

  • 11 artigos em barro;
  • 86 pratos de porcelana;
  • 115 garrafas de vidro antigas;
  • 14 peças de porcelana;
  • 11 chaves de habitação furtadas;
  • Sete chaves de portas antigas;
  • Um escadote de alumínio;
  • Um alambique;
  • Dez munições.

O detido foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Oleiros.

Para evitar furtos em residência, a Guarda Nacional República deixa alguns conselhos importantes:

  • Deixe sempre as portas e janelas fechadas quando sair de casa;
  • Quando se ausentar de sua casa, por vários dias, informe a GNR ou outra autoridade policial da sua zona;
  • Não deixe escritos na porta, nas janelas ou na caixa do correio que assinalem a sua ausência;
  • Não deixe acumular correspondência na caixa do correio.
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Estudo do Observatório do Turismo Sustentável revela que Beira Baixa quer mais turismo

Estudo do Observatório do Turismo Sustentável revela que Beira Baixa quer mais turismo

O turismo de natureza é uma das principais apostas do Município de Proença-a-Nova para atrair turistas para o território e a rede de passeios pedestres, as praias fluviais e os desportos de aventura são apenas alguns dos argumentos de valorização do concelho que tem na Torre de Vigia da Serra das Talhadas, da autoria do Arquiteto Siza Vieira, uma das suas novidades mais recentes.

Estes pontos foram elencados por João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, durante o colóquio “Conhecer melhor para investir bem no turismo da região da Beira Baixa” que teve lugar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco, no dia 16 de novembro, na mesa redonda dedicada à “cooperação de âmbito municipal e ao desenvolvimento de sistemas de informação estratégica para o desenvolvimento do turismo” em que participaram outros presidentes de câmara da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa.

João Lobo focou igualmente algumas das fragilidades do concelho a este nível, por exemplo o facto de a restauração nem sempre conseguir dar resposta ao fim de semana ou a ausência de operadores turísticos no concelho. “Há de facto um caminho grande a fazer relativamente à parte privada, para que possa usufruir dos produtos turísticos que os próprios municípios já consolidaram no território. Não querendo massificar, é importante também que os turistas não saiam defraudados na sua estadia”, acrescentou o autarca. Para refletir sobre a estratégia de turismo a nível nacional, regional e local, o Município promove anualmente um encontro com restauração, hotelaria e alojamentos locais, em que se sensibiliza, de igual forma, para o preenchimento de estatísticas que são fundamentais para a definição de projetos futuros. Em termos de promoção, já é certo que o Município repetirá as presenças nas principais feiras de turismo de Portugal (BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa) e Espanha (FITUR – em Madrid). O autarca referiu ainda como questão essencial a valorização de quem vive no concelho e de quem nos visita: “evidentemente que nós trabalhamos para as pessoas”.

Na ocasião foram ainda apresentados o Observatório do Turismo Sustentável do Centro de Portugal e os resultados do inquérito anual sobre “o turismo na região centro: a perspetiva dos residentes”.

Entre os 937 inquiridos, 64 residem na Beira Baixa e revelaram que, de uma forma genérica, consideram o turismo benéfico para toda a região, no seu reforço à economia e na valorização da cultura regional, entre outros aspetos. Não sendo uma região com forte pressão turística, comparando com outras geografias dentro da própria região de Turismo do Centro, o inquérito revelou que as pessoas querem mais turismo e mais turistas.

De acordo com as mais recentes estatísticas sobre o sector publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, em setembro de 2022 apenas as regiões do Alentejo e Centro viram as dormidas descer, quando comparadas com setembro de 2019, o último ano antes da pandemia (no caso da região centro a descida foi de 3,3%).

Durante o encerramento deste colóquio, João Lobo, como presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, destacou como prioridades da região o trabalho em rede, a formação dos agentes e a busca de um turismo sustentável, “com condição de valor para estes territórios e para estas pessoas. Temos que ter sempre uma atenção especial para a valorização da pessoa, dos que cá estão e dos que nos visitam”, referiu.

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Oleiros com papel de destaque no acesso à justiça e cidadania para os mais jovens

Oleiros com papel de destaque no acesso à justiça e cidadania para os mais jovens

Youth-Friendly Justice – “Justiça Amiga dos Jovens” em português – é o nome do projeto que visa promover a participação jovem no domínio da justiça, democracia e cidadania, através de Educação Não Formal.

A ação de formação, promovida pela ComDignitatis – Associação Portuguesa para a Promoção da Dignidade Humana, com vista à implementação deste projeto em três países (Portugal, Hungria e Estónia) decorreu ao longo dos últimos dias no Auditório da Casa da Cultura, em Oleiros, Município que desde o primeiro dia se assumiu como parceiro estratégico desta causa.

Este projeto é implementado em parceria com um consórcio de três organizações de diferentes regiões da Europa, Portugal, Hungria e Estónia, para refletir as diversas perspetivas, backgrounds e, inclusive, histórias, e para conseguirmos trabalhar em conjunto para que os jovens, entre os 13 e os 18 anos, possam participar plenamente na sociedade”, pode ler-se na informação disponibilizada pela ComDignitatis.

As representantes da Hungria e Estónia, bem como de Portugal, concordaram que estas ações são “muito importantes” para que se possam “despertar mentalidades” para o tema da capacitação dos jovens no domínio da justiça e cidadania. “Estas sessões são essenciais para que possamos desenhar, em conjunto, um conjunto de normas de procedimento a seguir para situações desde género”, adiantaram ainda.

Sobre Oleiros acrescentaram que estes dias resultaram numa experiência “bastante enriquecedora”, com elogios sobretudo para a organização do ensino, mas também para o facto de como a vila foi estruturada, do ponto de vista do acesso aos serviços e das suas potencialidades turísticas.

O Projeto “Youth-Friendly Justice”, galardoado como um Projeto Inspirador pela Agência Nacional Erasmus+ Juventude e Desporto e o Corpo Europeu de Solidariedade, é um projeto adaptado do Programa “Uma Justiça Amiga nas Escolas” que a ComDignitatis implementa a nível nacional desde 2016 e que durante o ano letivo 2022/2023 irá implementar a nível europeu.

Resulta de uma parceria entre a ComDignitatis (Portugal), a Associação Balmádifjak (Hungria), a Associação Discovering Opportunities (Estónia), a Procuradoria-Geral da República, a Ordem dos Advogados, o Centro de Estudos Judiciários (CEJ), o Município de Oleiros e ainda os Tribunais de Comarca

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Crónica da Invasão da Ucrânia, à distância – LXXX – Até quando, Putin?

Nota da Direcção: O desdobramento das Crónicas do Professor Mendo Henriques estão agora desdobradas num novo bloco, devidamente numeradas para facilitar a leitura.

Crónica da Invasão da Ucrânia, à distância – LXXX

22 de novembro

. Até quando, Putin?

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Deverá ser a mais conhecida frase dos célebres discursos de Cícero contra Catilina, o estadista romano que deixou um rasto de morte atrás de si.

Até quando, Putin? É a pergunta que parece começar a passar dos opositores do Kremlin para as massas.

Segundo especialistas (Meduza, SOTO) haverá cerca de 15% de oposicionistas na Rússia, uns 60 a 70% que seguem o poder e outros 15% a 20% de nacionalistas fanáticos; mas os hesitantes estão a aumentar e os media do regime, com a missão de propaganda e contra-informação, têm de se ajustar às dúvidas crescentes sobre a guerra. Em particular a televisão.

Os talk shows da televisão russa são uma experiência alucinatória, uma espécie de pesadelo filmado em cenários que parecem uma mistura sombria de game show e filme de terror.

Os operadores de câmara são mesmo bons em induzir a vertigem nos planos de imagem em que passam os discursos aparentemente enlouquecidos dos anfitriões e convidados. E, no entanto, no meio desse ninho de cucos, a contra-informação tem de responder a novas preocupações porque a guerra está a correr mal. De mal a pior, aliás.

Os talk shows seguem um roteiro em que um dos participantes é escolhido para fazer a contra-argumentação, colocar perguntas difíceis, ter uma opinião diferente e mesmo contradizer o anfitrião. Depois torna-se no saco de pancadas do talk show, o homem de palha a abater. Num regime de pós-verdade, muito semelhante ao que Trump tentou instalar na América, nada é verdadeiro, tudo é possível, como explica Peter Pomantsarev. O público adora.

Vladimir Solovyov, a “voz de Putin”, já disse de tudo no seu programa.

Notícias em que dia sim, dia não, afirma que é inevitável a guerra nuclear com o Ocidente. Neste domingo com o seu habitual sorriso de malvado afirmou que é preciso varrer Kyiv e Kharkiv da face da terra. Um dos convidados, Yaakov Kedmi veio confrontá-lo. “É obsceno; não é construtivo; é criminoso bombardear cidades pacíficas”, interveio. “Essas coisas nem deveriam ser ditas – ‘varrer uma cidade da face da Terra’ é obsceno.Solovyov opôs-se mas Kedmi insistiu. “Existem 1.001 maneiras de lutar sem tocar em civis.”

Vladimir Solovyoy

Outro episódio passou-se nos 60 minutos, o talk-show conduzido pelo casal maravilha Eugene Popov e Olga Skabeeva, conhecida como “a dama de ferro do putinismo”. Desde há anos que zurzem a oposição democrática e desde fevereiro, a Ucrânia. No último sábado, Popov começou a interrogar-se. Mas todos os produtos russos dependem de peças do Ocidente. Os aviões. Os automóveis. Os medicamentos. E continuou nisto um minuto. Foi interrompido várias vezes. Mas voltou ao discurso. Os convidados entreolharam-se do que + é russo, é Os membros do show 

Um outro episódio do fim de semana foi no talk-show de jovem Ivan Trushkin, (herdeiro de Solyvyov se este tiver morte prematura).

A certa altura o especialista Viktor Olevich começou a questionar a capacidade das forças militares russas em Kherson. Perdeu o som do microfone. Trouxeram-lhe um microfone portátil e ele continuou. E mesmo assim, os participantes pareceram não ouvir. Trushkin informou Viktor das “más notícias” sobre o mau funcionamento do microfone e passou a outro.

..debates !!!

Aa audiências russas de TV estão sedadas por vinte anos de propaganda e parece engolir tudo. Então por que motivo Solovyov, Skabeskaya e Trushkin têm de seguir roteiros cada vez mais difíceis? Porque a guerra da Ucrânia deixou de ser percebida como operação especial. Em vez disso, é agora uma operação contínua de assassinato em massa. Aos russos chegam mais depressa as notícias dos seus mais de 100.000 mortos e feridos na frente militar.

A receita da hiper normalização na informação é conhecida. Semeie confusões em todos as direções para que ninguém mais saiba a verdade; quando as pessoas já não sabem distinguir entre factos e ficção, preferem seguir os autocratas. Mas se o autocrata traz a o desastre, que fazer?

Na Rússia, “o vento está a mudar de direção”.

Até quando Putin continuará a ser útil? Quando começará a ser visto como um perdedor?

Até quando, Putin?

Amanhã é outro dia.

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Crónica da Invasão da Ucrânia, à distância – LXXIX

17 de novembro

. Onde está Surkov?

 

Eminência parda, grande encenador, Rasputine 2.0.

Durante vinte anos, de 1999 a 2020, Vladislav Surkov foi considerado a sombra de Vladimir Putin (Ver Crónica de 7 de abril). Era o homem que instruía o ponto de vista ideológico e que concebeu o plano de propaganda nas televisões oficiais; uma mente brilhante e maquiavélica ao serviço de grandes poderes, com vários lemas conhecidos entre eles diga sempre o que pensa; nunca diga o que sabe.

Em Abril deste ano, o Newsweek noticiou que Surkov foi colocado em prisão domiciliar, por alegado desvio de fundos destinados aos separatistas do Donbass. O advogado russo Feigin e o conselheiro ucraniano Arestovich acreditam que sim.

Que se passou então, e entretanto?

Quem é Surkov e onde está? Não é fácil responder …

  • O vice-primeiro-ministro Sergey Ivanov, o primeiro vice-chefe de gabinete da administração presidencial da Rússia Vladislav Surkov e o CEO da ROSNANO, Anatoly Chubais,// Dmitry Astakhov / RIA Novosti

Nascido em 1962 ou 1964, conforme as biografias, de pai checheno e mãe russa étnica, ambos professores em Duba-yurt, na Chechénia, chamava-se de origem Aslambek Dudayev. É possível que tenha escrito livros de ficção política como pseudónimo de Natan Dubovitsky, influenciado por autores como Allen Ginsberg.

Após passar pelo setor privado até aos 35 anos, veio a ocupar diversos cargos governativos de topo e foi conselheiro principal de Putin entre 2013 e 2020.  Mas qualquer que fosse o cargo no governo, Surkov marcava as políticas, enfant terrible da política russa.

Durante dez anos, entre 1988 e 2006, Surkov operou no setor privado, em particular nas relações públicas e publicidade nos negócios de Mikhail Khodorkovsky; nos bancos de Mikhail Fridman; na empresa de petróleo Transnefteproduct; e no canal de televisão ORT. Segundo Sergei Ivanov, ex-ministro da Defesa, Surkov serviu na Diretoria Principal de Inteligência do Estado-Maior (GRU) quando cumpriu serviço militar na Hungria. Mas foi sempre mais um homem do bloco de Poder (vlast) do que do bloco de Segurança (Siloviki).

Em 1999 iniciou a carreira política, sendo nomeado vice-chefe do gabinete presidencial e muito rapidamente emergiu como o Rasputine 2.0. Debatia-se na época no círculo íntimo do presidente, nas elites governamentais e mais tarde no partido Rússia Unida que marca deveria o presidente imprimir na vida política. Bastaria glorificar a sua pessoa ou seria preciso uma fórmula ideológica? Em 2006, quando Aleksei Chadaev publica Putin: a sua ideologia provocou um rebuliço. Houve quem apoiasse a necessidade de reconhecer uma ideologia, outros mostraram notória falta de entusiasmo.

Foi então que Surkov emergiu como o grande arquiteto dos conteúdos ideológicos e da embalagem mediática.

Lançou o conceito de “democracia soberana ou gerida” (suverennaia demokratiia) para definir a natureza do regime e a posição da Rússia no cenário mundial (Okara 2007). Segue-se daqui uma série de perversões: a concentração de poderes no Presidente; a eliminação gradual da influência da Duma do Estado e do Conselho da Federação; a importância adquirida pelo Conselho de Segurança e o bloco dos Siloviki; a dissolução dos meios de comunicação independentes; as eleições passam a ser um teatro com resultados decididos antecipadamente, mesmo que haja votação real; o reforço da componente nacionalista na ideologia oficial; a transformação do poder judicial em órgão político punitivo dos opositores ao regime. O resultado foi a castração das instituições democráticas.

Como um dos criadores da ditadura pós-moderna, Surkov despreza a cidadania; não considera os russos prontos a participar na gestão do país por meios democráticos; precisam do patrocínio de um regime autoritário e o país precisa de um teatro político permanente. Com o teatro de massas de Surkov, a política russa começou a tornar-se uma operação militar especial. “É muito provável que a política oficial seja uma operação especial, onde as pessoas dizem uma coisa, pensam outra, fazem uma terceira, mas querem uma quarta. Aliás, o resultado, é uma quinta” –escreveu Surkov no artigo “Tempo ao invés”, em fevereiro de 2001.

Peter Pomerantsev, um dos grandes conhecedores e críticos de Surkov escrevia em 2011: Na Rússia contemporânea, diferentemente da antiga URSS ou da atual Coreia do Norte, o cenário está sempre a mudar: o país é uma ditadura pela manhã, uma democracia na hora do almoço, uma oligarquia na hora do jantar, enquanto, nos bastidores, empresas petrolíferas são expropriadas, jornalistas mortos, biliões desviados. Surkov está no centro do espectáculo, a patrocinar skinheads nacionalistas num momento, a apoiar grupos de direitos humanos a seguir. É uma estratégia de poder baseada em manter a oposição em estado de confusão, uma mudança de forma incessante que é imparável porque é indefinível.

A doutrina da “democracia soberana” entregou ao Estado o controlo dos meios de comunicação de massa, sobretudo todos os canais de televisão. Seguindo o exemplo de Gleb Pavlovskii, Surkov lançou ainda plataformas de media, portais online e uma agência de notícias. Organizou a juventude pró-presidencial (Nashi), e o movimento Rússia Justa (Spravedlivaia Rossiia). A Rússia iria liderar a globalização com uma “marca” ou “voz” específicas: iria ser uma grande potência atraente, com um novo nacionalismo, uma economia moderna, e ferramentas de softpower.

Surkov era contra qualquer regresso à experiência soviética e ao destino euro-asiático.

Em vez disso, a identidade nacional deveria identificar-se como “Europa alternativa” e apoiar todos os movimentos da direita e extrema-direita, como efetivamente sucedeu e sucede nos apoios a Trump, Brexit, Le Pen, Salvini e outros (Surkov 2010; ver também Sakwa 2011b).

A reforçar esta orientação eurocêntrica, Surkov foi o inventor da narrativa A Ucrânia não existe, adotada por Putin.

E como organizador de consensos e diretivas desempenhou um papel primordial na estrutura ideológica que abriu o caminho à invasão da Ucrânia em 2014. Como a Ucrânia não existe, a imposição de relações fraternas pela força é o único método com eficácia provada. Após 2014, recomendava cortar as negociações com Kyiv e a anexação pura e dura do Donbass.

Em 2019, Kyiv tornara-se uma dor de cabeça para todos: a chantagem falhada de Donald Trump sobre o presidente Volodymyr Zelensky foi a causa do primeiro impeachment do “homem laranja”.

No Kremlin, debatia-se o que fazer da guerra em câmara lenta no Donbass. Vladislav Surkov envolveu-se em discussões com Dmitry Kozak. Muito está por apurar nos dossiers da DPR e LPR em que existe a habitual mistura tóxica de manipulação polpitica e corrupção económica:

Certo é que em fevereiro de 2020 Surkov pediu a demissão do cargo, o que foi aceite. Em entrevistas a Vladimir Solovyev e Alexei Venediktov afirmou que renunciava porque o “contexto” mudou. Kozak manteve-se como vice-chefe da casa civil de Putin e homem forte do Bloco do Poder e Putin foi evoluindo para a invasão armada de toda a Ucrânia.

Surkov mergulhou na vida privada até ser, alegadamente, colocado em prisão domiciliar .

  • Surkov e Putin ALEXEI NIKOLSKY /AFP VIA GETTY IMAGES

Não sabemos quando, nem como, nem se, irá reemergir na vida pública russa.

Amanhã é outro dia.

 

 

 

 

 

 

 

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Novo veículo elétrico ao serviço dos funcionários da Câmara de Oleiros

Novo veículo elétrico ao serviço dos funcionários da Câmara de Oleiros

Com o objetivo de continuar a servir de forma eficaz as necessidades da população, sem esquecer a consciência ambiental assente em dar o seu contributo na redução das emissões de gases poluentes para a atmosfera, a Câmara Municipal de Oleiros continua a reforçar a sua frota automóvel, de forma mais sustentável, substituindo veículos que se encontram em fim de vida por outros, menos poluentes, apostando cada vez mais em veículos com Zero emissões de CO2.

Paulo Urbano, Vereador da Câmara Municipal, afirma que “é necessário tomar medidas para combater as alterações climáticas”, defendendo que esta reestruturação da frota automóvel do Município passa por “escolhas ambientalmente responsáveis”, filosofia onde se insere a aquisição da nova viatura, já ao serviço dos funcionários para as mais variadas deslocações que terão de fazer em contexto de trabalho.

Esta aquisição foi comparticipada, em parte, pelo Fundo Ambiental e corresponde ainda à 3ª Fase do Programa de Apoio à Mobilidade Elétrica na Administração Pública – Financiamento da aquisição de 600 veículos elétricos – Parte 2 (Aviso n.º 20226/2019), da qual o Município de Oleiros faz parte.

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IFRRU: um programa para apoiar a Reabilitação Urbana em Idanha

. Apresentado em Idanha-a-Nova

IFRRU: um programa para apoiar a Reabilitação Urbana

Se tem um imóvel com idade igual ou superior a 30 anos ou pretende investir num, o Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbana (IFRRU 2020) é uma oportunidade de financiamento para o apoiar na concretização da reabilitação sustentável de edifícios.

Trata-se do maior de programa de incentivo à regeneração urbana de sempre e foi apresentado em Idanha-a-Nova, no dia 15 de novembro, numa sessão que decorreu na Escola Superior de Gestão (ESGIN), com a participação da Diretora, Sara Brito Filipe.

A Câmara Municipal servirá de ponto focal para os interessados em conhecer este programa que financia a reabilitação integral de edifícios e que tem apoiado vários projetos em todo o país.

É um programa que se insere na Estratégia Local de Habitação de Idanha-a-Nova, que definimos para todo o concelho de forma a dar resposta às necessidades de habitação, através de projetos de investimento público e de incentivos ao investimento privado”, afirmou durante a sessão o Presidente da Câmara Municipal, Armindo Jacinto.

Armindo Jacinto lembra que “desde 2015 estamos a trabalhar as questões da habitação e da reabilitação urbana, e fazemo-lo em todo o concelho para os diferentes núcleos urbanos sejam abrangidos”.

Para o autarca, a “primeira preocupação é que as populações que residem no concelho de Idanha-a-Nova tenham acesso a instrumentos financeiros que ajudem a reabilitar o seu património. Por outro lado, estas medidas também possibilitam que outros cidadãos que desejem vir para as nossas localidades possam adquirir edifícios e proceder à sua reabilitação”.

“Interessa-nos revitalizar as nossas aldeias para que estas ofereçam qualidade de vida às populações, em complemento com as nossas estratégias nas áreas da educação, da saúde, da segurança e da economia”, sublinhou.

Através de parcerias com entidades bancárias (Santander, BPI e Millennium BCP), o IFRRU 2020 facilita o acesso a financiamento por parte dos promotores de investimentos na área da reabilitação urbana, disponibilizando condições mais favoráveis do que as disponíveis no mercado.

A sessão contou ainda com a apresentação da Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) e Operações de Reabilitação Urbana (ORU) do concelho de Idanha-a-Nova, que possibilitam usufruir de benefícios fiscais na reabilitação urbana e de edifícios (em sede de IMI, IMT, IRS e IVA).

Com 17 ARU aprovadas, o concelho de Idanha-a-Nova distingue-se a nível nacional por estender estes incentivos a todo o concelho.

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Projeto FÔLEGO apresentado na COP 27

Projeto FÔLEGO apresentado na COP 27

O projeto FÔLEGO – que alia artes e ciência para refletir e agir sobre o clima – integrará duas sessões oficiais da 27ª conferência das Nações Unidas para o clima (COP 27), a 10 e 17 de novembro.

Baseado em cinco municípios do Centro de Portugal – Mação, Oleiros, Sertã, Proença-a-Nova e Vila de Rei – o projeto FÔLEGO leva a realidade deste território até à conferência, decorrente no Egipto, no âmbito da agenda para o combate às alterações climáticas.

As apresentações, dedicadas à problemática dos incêndios florestais – tema central do projeto e um dos maiores desafios climáticos da região e do país – estarão a cargo dos parceiros do FÔLEGO Steve Hartman, diretor executivo da BRIDGES Sustainability Science Coalition e António Louro, vice-presidente do município de Mação. Esta sinergia já resulta do intercâmbio de residências artísticas e académicas “Ice and Fire” – atividade do FÔLEGO que liga Portugal e a Islândia neste esforço conjunto.

A participação na COP – maior e mais importante conferência anual dedicada ao clima – ocorre no mês em que o projeto completa um ano de atividade no território, dezenas de atividades integradas num programa de espetáculos e trabalhos comunitários com a população, visando a sensibilização para o problema por via das artes.

A COP reúne líderes mundiais com o objetivo de firmar compromissos mais fortes entre governos para combater as alterações climáticas à escala global. A adaptação dos territórios às consequências das alterações climáticas (aumento dos riscos de incêndio, seca, inundações e variações de temperatura) será um foco principal, a par da mitigação dos efeitos – com principal destaque para a redução da emissão de gases de efeito estufa – e da avaliação de métodos e compromissos para financiar a transição verde.

Selecionado para financiamento no quadro EEA Grants, Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu, o projeto FÔLEGO é promovido pela Academia de Produtores Culturais, em parceria com Mapa das Ideias, Heidi Rustgaard (Noruega), Universidade da Islândia, Associação Pinhal Maior e os cinco municípios – Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Vila-de-Rei – atuando num esforço coordenado entre dezenas de instituições locais, nacionais e internacionais, de caráter governamental e não-governamental.

Em 2023, o FÔLEGO, bem como seu âmbito e território, será de novo apresentado numa conferência internacional de parceiros da rede “Future Earth”.

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