Paulo Raimundo é o novo Secretário – Geral do PCP

Nota da Direcção
Ao invés do que se escreve abaixo, a surpresa é afinal apenas exterior ao PCP.
Na verdade, sabemos hoje que o futuro Secretário-Geral, embora não seja escolha unânime, de há muito vinha sendo preparado para as novas funções e são públicas fotos ao lado de Jerónimo de Sousa que o atestam.
Só mesmo um Partido como o PCP consegue algo semelhante.
Jerónimo de Sousa deixa a Direcção do PCP
Paulo Raimundo entrou para os órgãos diretivos mais restritos do PCP no último Congresso, em 2020, e exerceu vários ofícios que o ligam ao mundo do trabalho, substituindo, aos 46 anos, Jerónimo de Sousa na liderança do partido.
Paulo Raimundo, o homem dos vários ofícios que chega a secretário-geral do PCP
Paulo Raimundo

Nas notas biográficas divulgadas pelo PCP, destaca-se que o dirigente comunista “começou como carpinteiro, foi padeiro e animador cultural na Associação Cristã da Mocidade na Bela Vista”, realidades que “lhe permitiram medir o pulso às “contradições do dia-a-dia”, como os baixos salários, a exploração e a precariedade, mas também a “camaradagem e solidariedade” entre os trabalhadores.

A divulgação do nome proposto para secretário-geral, depois de uma “auscultação” às estruturas comunistas, foi feita pelo gabinete de imprensa do PCP em comunicado ao início da noite de sábado e causou alguma surpresa já que Paulo Raimundo é conhecido nas bases do partido mas relativamente desconhecido na esfera mediática.

Num comício comemorativo dos 101 anos do PCP, no início do ano, fez uma intervenção com o título “a força organizada dos trabalhadores é capaz de tudo” e pronunciou-se contra o aumento do custo de vida, da alimentação à energia, que atribuiu a uma “autêntica pilhagem liberal que há muito está em curso”.

O dirigente aderiu à JCP em 1991, e ao PCP em 1994, passando a funcionário dez anos depois. Apenas dois anos depois de se filiar, é eleito membro do Comité Central e e 2016 sobe ao Secretariado. Em 2000, no XVI Congresso, em 2020, é eleito para a Comissão Política do Comité Central comunista, acumulando a presença nos dois órgãos mais restritos da direção, ao lado de nomes como Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, Jorge Cordeiro e José Capucho.

Raimundo nasceu em Cascais, no distrito de Lisboa. Os pais, naturais de Beja, trabalhavam como funcionários do Estoril Futebol Clube quando nasceu e viviam nas instalações do clube, de acordo com os dados disponibilizados pelo partido.

Com três anos, foi viver com os pais para Setúbal, onde frequentou a Escola Primária do Faralhão, na freguesia do Sado, uma escola construída em pleno período revolucionário. A infância foi passada entre a vivência “de rua” e a acompanhar a mãe nos trabalhos na agricultura, nas limpezas e nas obras. Houve momentos em que chegou a trabalhar com a mãe na apanha do marisco, relata o PCP.

O 5.º e 6.º anos foram concluídos graças à telescola, mas foi na Escola Secundária da Bela Vista, por altura do seu 10.º ano, que contactou com a política como integrante das listas para associação de estudantes. Acabou o 12.º ano à noite já como trabalhador-estudante.

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