“MAE” bate-se contra a construção de barragem no rio Ocreza e Túnel do Cabril

No passado dia 31 de agosto, o MAE – Movimento de Acção Ecológica reuniu em Lisboa com o Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro.

O “MAE” teve a oportunidade de levar as preocupações ambientais e económicas das populações do Pinhal relativamente à intenção governamental da construção do Túnel do Cabril e da destruição de mais um Rio com uma nova barragem no Ocreza. ” Contestámos a irracionalidade económica e ambiental de tal projeto e deixámos soluções alternativas” avança o MAE.

Na reunião, tivemos oportunidade de entregar em mão ao Ministro um Manifesto subscrito por autarcas e empresários da nossa região, onde se demonstra a preocupação com o impacto ambiental, económico e social que tal projeto trará à nossa região. Não compreendemos nem aceitamos que se use dinheiro público em obras que inevitavelmente não cumprirão o seu propósito e trarão consequências negativas à biodiversidade e economia da região. Estimam-se valores na ordem dos 100 milhões para o construção de 50 km de túnel e de 400 milhões para a construção de uma nova barragem, valores estes que devem ser investidos em soluções alternativas que não impactem de forma tão severa a nossa região! 

Neste momento, a Albufeira do Cabril encontra-se à cota de 30%, impossibilitando muita da atividade turística que nestes meses é motor económico da região. Situação também vivida na Albufeira do Castelo de Bode. Com o desvio da água do Cabril ficará ainda menos água disponível para as duas albufeiras, o que tornará mais gravosas situações de seca como a que atualmente estamos a viver. Não podemos compreender que se construa uma obra megalómana para retirar água de um local que sofre e continuará a sofrer com falta de água.

A destruição de mais um rio livre com a construção de uma barragem, ao contrário do que apregoam, nunca trará benefícios ambientais. Em contraciclo com as políticas europeias de promoção de Rios livres, o governo português continua a defender a construção de mais barreiras nos nossos Rios como “benefícios ambientais”. A edificação de uma barragem tem impactos como a extinção de espécies de plantas e animais, a poluição e diminuição da qualidade das águas, a acumulação de detritos a montante da barragem e consequente aumento da erosão das praias marítimas, entre outros… Com a menor disponibilidade de recursos hídricos, construir mais uma barragem não resolverá o problema da seca, mas fará nascer muitos mais problemas. 

Os desafios do futuro não se resolvem com soluções do passado e os problemas de regularização dos caudais do rio Tejo têm de ser resolvidos com a vizinha Espanha, que não cumpre o estipulado na Convenção de Albufeira. Sendo a água um bem precioso cada vez mais escasso, é crucial também que o seu consumo seja reduzido e que haja uma adaptação do seu uso na agricultura, com reaproveitamento de águas residuais, redução de perdas e eficiência no seu uso.

O caminho da água começa na Floresta e, por isso, expressámos também a nossa preocupação com a gestão da floresta, a continuidade do desordenamento com a inação do estado perante as novas plantações ilegais com a eucaliptos que deveria de intervir na obrigação da reposição das condições originais do terreno, e a inadequação da nova aplicação do BUPi (Balcão Único do Prédio) que impossibilita a sua utilização em zonas de montanha.

Apelámos ainda ao Ministro do Ambiente que evite a pretensão megalomaníaca da Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, no denominado Projeto Tejo, de dar uma última machadada no rio Tejo, ao promover novos açudes e barragens, de Abrantes até Lisboa, fragmentando os últimos 127 km de rio livre de 20 em 20 km. Por último, decidimos abrir o Manifesto a todos os cidadãos que se manifestem contra a pretensão da construção do Túnel do Cabril e da Barragem do Ocreza!

Estará disponível nas nossas redes sociais o link para se associar a esta causa e subscrever o Manifesto. Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento e apelamos a todos que se posicionem contra estas obras que terão um impacto extremamente negativo na nossa região. Somos a Voz do Interior, do rio e da floresta, lutemos por eles, avança o MAE.

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