Guerra na Ucrânia, avanços em Kupiansk e Izium eram previstos já em 13 de Maio nas Crónicas de Mendo Henriques

Já em 13 de Maio, nas Crónicas sobre a Guerra da Ucrânia de Mendo Henriques, publicadas no Jornal de Oleiros e posteriormente em Livro, se previa o desenlace em curso. Com efeito, os desenvolvimentos de 10 de Setembro na Ucrânia, estão bem retratados na Crónica de 13 Maio que republicamos com gosto abaixo.

Mendo Henriques

“Amanhã é outro dia” de Mendo Henriques

Crónica da guerra da Ucrânia, à distância (XLVIII)

13 de maio – Mendo Henriques

. Em direção a Kupyansk

Após os russos serem rechaçados de Kyiv por volta de 25 de março, o jornalista e correspondente de guerra Illia Ponomarenko, do Independente de Kyiv (cuja diretora Olga Rudenko acaba ser capa da revista TIME) escreveu no seu twitter: agora em direção a Kupyansk.

Olga Rodenko e equipa

Illia Ponomarenco

Como jamais ouvira falar da cidade, fui então consultar o mapa. A importância estratégica da cidade é evidente. É um entroncamento ferroviário por onde agora passam os reforços russos que alimentam Izyum, a pinça norte da ofensiva no Donbas, enquanto a partir de Donetsk, tenta fazer avançar a pinça sul.

Nesta semana, a contra-ofensiva da Ucrânia na área de Kharkiv continuou a fazer progressos empurrando os russos para uma estreita faixa de território. É uma batalha assimétrica em que ucranianos eliminam tanques T-90M com um simples e antigo lançador Carl Gustaf de granadas antitanque.

perdas monumentais para a Rússia

Lançador Carl Gustaf

Estima-se que existam em combate apenas 3x BTGs russos de fraco rendimento; na área de Belgorod, contudo, haverá pelo menos 19x BTGs (cerca de 20 mil homens) que poderão contra-atacar em direção a Kharkiv ou ir reforçar Izyum. Ou nada fazer, como até agora.

Na pinça sul, estagnou a ofensiva russa ao longo da linha Siverskyi Donets, com sucessos limitados em Popasna.

O plano russo inicial era cercar e isolar os grandes salientes do Donbas, com Slovyansk e Severdonetsk. Mas se os ucranianos expulsarem os invasores da região de Kahrkiv e chegarem à fronteira, poderão atacar na direção de Kupyansk e cortar o eixo de abastecimentos russo de Izyum.

Mapa estratégico

Na zona sul Odesa-Kherson além dos ataques de mísseis contra Odessa, e provocações russas na Moldávia, para impedir que as forças ucranianas sejam redistribuídas para outras frentes críticas, destacam-se os combates na ilha das Serpentes, sobre os quais paira o “nevoeiro da guerra”.

Ilha das Serpentes

A guerra nos mapas digitais assemelha-se aos videojogos. Mas a guerra tal como ela é, em terra, mar e ar, é uma realidade dura, feia, suja e má, com rompantes de heroísmo e de cobardia, momentos de glória e outros de desmoralização. Os ucranianos batem-se com galhardia. Quanto às unidades russas há cada vez mais indicações de que estão desmoralizadas.

Oficiais de nível de batalhão no Donbas recusaram-se a obedecer a ordens superiores ou não as seguiram devidamente. https://newsweek.com/russia-military-officers-disobey-ukraine-orders-vladimir-putin-1704887

A potência militar russa atual é ainda muito grande, sem sequer referir o arsenal nuclear. Mas o poder militar só é eficaz se houver determinação política.

O czar Alexandre expulsou Napoleão depois deste conquistar Moscovo porque tinha um povo a seu lado. Estaline acabou por vencer Hitler, cujas tropas estiveram a 30 km de Moscovo, porque mobilizou todos para a Grande Guerra patriótica.

Eram outros tempos. Agora é o tempo de Putin que nas comemorações do Dia da Vitória a 9 de maio não apontou nenhum objetivo estratégico mobilizador da população, nem sequer da propaganda, não declarou a mobilização nacional, nem proclamou a anexação de territórios ocupados.

Perante esta imobilidade, algumas vozes europeias dizem que “não devemos desestabilizar a Rússia”. Na realidade, Putin é o principal desestabilizador da Rússia, através da repressão interna, e da Europa, devido à agressão externa.

A guerra terminará se a Ucrânia recuperar o que é seu desde 2014 e Putin perder o poder, seja de que forma for. De outro modo continuariam as agressões.

Amanhã é outro dia.

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