Associação Portuguesa de Deficientes, 50 Anos dedicados à Construção da Sociedade Inclusiva

Associação Portuguesa de Deficientes
. 50 Anos dedicados à Construção da Sociedade Inclusiva
Celebra-se hoje o 50º aniversário da publicação dos primeiros estatutos
APD. Censurados pela ditadura, anunciavam «novidade» singular: a APD instituiu-se
como «associação universal», congregando todas as deficiências, superando causas/origens, cabiam na nossa representação.
No contexto opressivo debateu-se, reflectiu-se, profetizando o prelúdio de Abril, que
libertou o nosso projecto singular, diferencial, afastado de conceitos arcaicos,
substituindo caridade, assistencialismo, por direitos, base justa da integração.
A aprovação, 28/04/1971 da futura Lei 6/71, propiciou oportunidade de repensar a
existência das pessoas com deficiência, numa sociedade subdesenvolvida, oprimida, arcaica, longe dos novos padrões civilizacionais.
Prelúdio de Abril, as reais potencialidades da APD libertaram-se na conjuntura da revolução.
A divulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a aprovação da
” constituição de Abril, inovadora na Europa, abriram o caminho rumo à construção da sociedade inclusiva.
Reivindicativa, combativa, a APD jamais recusou o diálogo. Rejeitou intromissões,
( estatuto IPSS), repudiou aliciamentos à rendição, não cedeu a benesses, reclamou negociação, lutou, sem cessar, pelo direito ao diálogo/participação.

««Nada sobre Nós, sem Nós»» é grito altíssono pelos direitos das pessoas com
deficiência, tantas vezes vilipendiados.
Aderiu às organizações internacionais progressistas, acolheu os seus princípios, expandiu-
se no território, alargando a representatividade, ampliando o real conhecimento dos
padecimentos das pessoas com deficiência.
Este modelo desagradou aos diversos governos; sofreu: discriminações, incompreensões,
perseguições, algumas vezes.
Resistiu, apresentou imensas propostas, rejeitadas, porque a inclusão plena não se
compaginava com as visões doutras organizações submissas, propensas a trocar
princípios por favores, a promover compadrios, práticas repudiáveis.
O percurso da APD, pela coerência, revelou o antagonismo discurso/prática na evolução
do processo incluente. Houve cismas, prontamente superados.
50 anos volvidos a APD sustenta a singularidade, cumpre projectos.

No actual panorama associativo preserva singularidade, diferença, transparência, dialoga, crítica, sem submissões, sempre que a inclusão sofre afrontas, facto excessivamente
frequente.
A permanente carência de recursos impediu a realização global dos seus projectos,
princípios, estratégias, reduzindo as potencialidades da intervenção, em todo o território.
Comemoramos, sufocados por constrangimentos, o 50º aniversário.
Deploramos a indiferença dos diversos poderes; lamentamos a apatia das pessoas com
deficiência, cujas causas radicam na hostilidade à inclusão, subjugadas por inqualificáveis
ilusões, hipnotizações, manipulações.
Neste «cabo das tormentas» recordamos, homenageamos «heróis gigantes» que na
” prisão sem grades», compelidos pela deficiência, dedicaram: anos, meses, dias, noites, à
nobilíssima causa: «inclusão»! Sonharam esse espaço de igualdade, fraternidade, justiça, humanismo…
No nosso frágil batel, derrotaremos tempestades, converteremos adamastores, conduzidos
pela bússola da dignidade das pessoas com deficiência…
A APD não abdica dos seus atributos inovadores.
Convoca:
À reconstrução das ONG’S/PD; à retomada da actividade voluntária; à intensa vigilância,
nesta conjuntura incertíssima; à difusão incessante da pedagogia dos direitos humanos; à
identificação dos requisitos geradores de inclusão, sublinhando a paz…
À consolidação de «alianças fortes» entre organizações aderentes à defesa/promoção de
todos os direitos, para todos, em todo o planeta…
«A sociedade inclusiva» território de todas as igualdades, síntese perfeita da democracia
total, global, plena…

A Direcção Nacional
Lisboa, 10 de Maio de 202

NOTA DO DIRECTOR: O Jornal de Oleiros  e o Director, bem como a Redacção saúdam e felicitam a APD pelos seus 50anos e formula votos de sucesso nos objectivos futuros que bem prossegue.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009. Lutamos arduamente pela defesa do interior, o apoio às famílias e a inclusão social. Batemo-nos pela liberdade e independência face a qualquer poder. Somos senhores da nossa opinião.
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